24 de junho de 2013

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Reforma da baderna



Pizzaria Bella Blú, Copabana, ontem à noite, toda coberta de tapumes. Não se via nada dentro. Estranhei. Reforma? - pensei. A moça à porta respondeu-me: - Não, é por causa dessa baderna aí...  Eu: - Você está querendo dizer manifestação?

Tapumes, ideias. Difícil reforma.
 
Pensando bem, a moça tem toda razão. Só uma questão de ângulo: é por causa dessa "baderna aí”.   

Desses baderneiros que se locupletam com o dinheiro público, arrotam ignorância, emporcalham e enojam o Brasil com seu mau-caratismo perverso e vicioso.

Vândalos, baderneiros! Políticos corruptos! Vocês sim, são a causa dos tapumes, das grades, da violência, da PM. Não adianta, como têm feito os jornais e a televisão, tentar confundir, obscurecer, estampar manchetes de terror, acusar de vândalos os milhões de manifestantes que oxigenam o País num gigante sopro de ética. Todo mundo sabe: a baderna e o terror são vocês. E os milhares, milhões de manifestantes nas ruas querem uma só coisa: reformar essa “baderna aí”.

Receio, como a maioria, que as manifestações percam o fôlego, a esperança se esvazie e tudo acabe mais uma vez em pizza. Tem sido assim no Brasil, não é mesmo? Pode ser. Reformar mentalidades é infinitamente mais difícil do que reformar estádios de futebol. 

Mas, sei lá. Os tapumes da pizzaria me fizeram pensar pedalando de volta para casa, que embora a reforma seja difícil, ela já começou. E não vai parar tão cedo: ou vai ou racha!





Um comentário:

  1. Concordo plenamente! O que só confirma aquela velha ideia de que tudo é uma questão de referencial...
    era até possível que a pizzaria sofresse quebra-quebra sim, mas por parte daquela gente que já não engana mais ninguém, e que está a serviço de quem a gente já sabe também.
    Por isso, acho que não vai acabar em pizza não. Acaba quando são "eles" que forjam investigações sérias, julgamentos isentos, que são rapidamente esquecidos graças à eficácia da mídia.
    Dessa vez a coisa é nova, e a falta de respostas imediatas - afinal, como se contar o fim de uma história que está em pleno curso? - é que talvez ainda dê margem a que essa pequena, e cada vez menor parcela da população ainda confunda manifestante com baderneiro!

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