Marina Silva, em debate na Universidade Católica de Recife, quarta-feira
última, 14 de maio, declarou:
“Estado laico
não é Estado ateu. Há uma confusão que é feita como se Estado laico fosse um
Estado ateu. Estado laico é para defender os direitos de quem crê, mas também
os direitos de quem não crê (...)”
Duas coisas saltaram-me aos ouvidos nessa pequena fala de Marina Silva:
um ENGANO e um LAPSO.
A começar pelo engano. Laico, vem do latim laicus, que significa povo, pessoa comum: em sua raiz o termo
designa alguém ou coisa que não diz respeito ao clero. Por extensão, laico significa
o que não sofre influência ou controle por parte da Igreja. Portanto, ESTADO
LAICO é estritamente sinônimo de ESTADO NÃO RELIGIOSO. Qualquer outra interpretação
é erro grave ou tentativa inescrupulosa de manipulação.
A seguir, o lapso. Curioso, muito curioso. Marina Silva não diz que
Estado laico é para defender os direitos de todos, todos no mesmo patamar,
mesmo nível. Não: ela diz que é para defender os direitos de quem crê, MAS
TAMBÉM os direitos de quem não crê. Não é preciso ter ouvido de psicanalista
para não deixar passar a expressão MAS TAMBÉM e o que está em jogo nela: uma HIERARQUIA.
Ou seja, Marina Silva diz claramente: primeiro os crentes, depois o resto. Esta
é sua concepção de Estado laico: um Estado onde ser crente é a medida de todas as coisas. Queira ela ou não, está dito.
Engano e lapso de Marina Silva. Os dois juntos me soam como o fim daquela que
pareceu um dia ser a grande promessa de renovação política do Brasil. Triste fim.
Ou terá sido Marina nada mais do que um grande embuste?
(Integra do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=nPMBwsoZnp8)

