25 de julho de 2013

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Papa(do) imprevisível?






Praia de Copacabana, há pouco. A multidão embandeirada numa empolgação inédita, sob chuva fina, chegando de todos os lados para ver o Papa. Perguntei para um bombeiro:

- A que horas o Papa vai passar?

- A missa  está marcada para às 18h... Mas ele chega primeiro no Forte Copacabana, pega o Papamóvel e depois percorre toda a avenida  Atlântica até o palco no Leme - disse apontando o trajeto para a pista.
- Não tem previsão da hora?

O bombeiro sorriu:

- Pô... previsão? Tem não... Ele anda quebrando todos os protocolos...esse Papa é imprevisível!
Agradeci e fui embora pensando nas palavras do bombeiro: "Esse Papa é imprevisível."

Papa do abalo, não sei. 
Do embalo, é fato. 
Do imprevisível, será mesmo? 

Papa do imprevisível. 
Papa(do) imprevisível.

Foi o bombeiro quem falou: ele sabe bem o que é fogo. E a gente sabe das labaredas de que o Vaticano é capaz. O Papa ontem em Aparecida pediu com jeitinho: “rezem por mim, rezem por mim”...

Não seja por isso Francisco: por falta de (c)oração, pelo menos no Brasil, você não morre.



24 de julho de 2013

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Sem "olhai por nós"






Mais forte do que a chuva, o frio, a neve, o vento, a Jornada da Juventude, o Papa: o gozo. Realmente não dá trégua. Entra estação, sai estação, ele ali, intrépido, imperativo, hiperativo.

Criaturas passam o ano inteiro reclamando do "calor infernal" carioca. Amaldiçoam-no, clamam socorro!, praguejam contra os trópicos, o sol escaldante, invejam os nórdicos, idolatram o paraíso alpino: ah, isto sim é viver! Daí chega o inverno - inverno, ouviram? - e como que cedendo aos queixumes sudorosos, o termômetro baixa, radicaliza, resolve dar a louca, desaba, vai até menos zero. 

Mas cadê que o gozo baixa? Que nada! Ele vem sempre mais, e mais, e mais... 
Gozo é excesso, abscesso, obsesso, não há temperatura nem queixa que deem conta: gozar é coisa do além...
 
E lá (re)desaguam as criaturas a gozar numa intempérie sem fim, não do guarda-chuva, do cobertor, do pulôver, da luva e do gorro ao alcance da mão, e sim da queixa gozosa, esta, cuja satisfação é fora de alcance. E sem redenção: não tem “olhai por nós”. 

A propósito, para que serve mesmo uma análise?

19 de julho de 2013

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Um elefante branco com cerca de galinheiro





Li no jornal hoje, sexta-feira 19 de julho, que a administração do Maracanã decidiu instalar grades entre as torcidas para evitar brigas no jogo Fluminense X Vasco, domingo próximo. Isso, é claro, enquanto a Copa não chega: aí o Maracanã voltará a arvorar ares de civilidade, padrão Fifa oblige.

Deixem-me ver se eu entendi. Milhões de reais foram gastos na reforma milionária do Maracanã para, uma vez o estádio pronto, grades de proteção serem instaladas no sentido de evitar pancadaria entre torcedores, é isso mesmo?

A "solução", em si mesma tosca, não é menos reveladora do estágio de degrad(e)ação em que se encontra a Política e a Educação no sentido mais radical e abrangente: diz respeito ao Bê a Bá da cidadania e ao cinismo das autoridades para quem gradear é mais seguro do que educar. Na prática, essa degrad(e)ação é dramática e para lá de inquietante. No caso do Maracanã, tem o traço da mais patética caricatura: um elefante branco com cerca de galinheiro.