21 de abril de 2013

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E.X.C.L.(U.S.A).O



Imagens da CNN mostravam, re-mostravam, re-re-monstravam neste fim de semana, a captura na última sexta-feira do suspeito do atentado em Boston, Djokhar Tsarnaev. Ante a repetição da tonitruante passagem dos veículos da polícia, chamou-me a atenção um grupo no meio da multidão, festejando aos brados, punhos fechados ao alto: 

- U.S.A!...U.S.A!...U.S.A!...U.S.A!...

É isso mesmo?

Freud explica, ou pelo menos, dá uma pista para se tentar entender tal insensatez. 

É sempre um elemento exterior ao conjunto que dá consistência ao conjunto, permitindo a formação de uma identidade. Quanto maior for a rejeição do grupo em relação a um elemento de fora - seja ele  o vizinho, o estrangeiro, o inimigo, o criminoso - maior é o sentimento de estar incluído num grupo e, claro, se achar superior aos que dele não fazem parte.

No episódio em questão, a caça de um (suspeito) criminoso é o bastante para suscitar irracionalmente o fortalecimento dos laços identitários nacionais entre os que se imaginam “idênticos”. Curiosamente, embora os U.S.A seja um país multicultural, o rapaz capturado não tem um nome, digamos, muito americano.

Em tempos de crise então, apontar o dedo para fora é uma recorrente estratégia imaginária que desvia o olhar de si próprio e finge curar as feridas que estão dentro. Ninguém duvida de sua eficácia. 

A questão é saber por quanto tempo e ao sacrifício do quê e de quem. 
Aliás, a História já se cansou em mostrar. 
E em sangrar

2 comentários:

  1. O quanto não se faz pra afirmar uma identidade, seja no real ou no imaginário! Identidade construída sobre a falta, mas também que causa falta. No caso dos americanos, algumas vezes de bom senso. Inimigo identificado serve pra identificar o amigo ou para criar um sentido?
    Talita Ramos

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  2. Primeiro matar um "inimigo" depois capturar o outro "inimigo" que é acusado por "usar armas de destruição em massa contra civis" em 1 dia e meio, para os EUA só serve pra reforçar quem eles são. Aqui no Brasil o país inteiro seria preso por "usar armas de destruição em massa contra civis", ou talvez ninguém seja civil suficiente pra poder acusar os "inimigos". A questão é que a nossa "segurança", seja a SWAT ou o BOPE, só funciona quando tem um objetivo político.E nada mais político que se mostrar isento da própria falta!

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