Mais forte do que a chuva, o frio, a neve, o vento, a Jornada da Juventude, o Papa:
o gozo. Realmente não dá trégua. Entra estação, sai estação, ele ali, intrépido, imperativo, hiperativo.
Criaturas passam o ano inteiro reclamando do "calor infernal"
carioca. Amaldiçoam-no, clamam socorro!, praguejam contra os trópicos, o sol
escaldante, invejam os nórdicos, idolatram o paraíso alpino: ah, isto sim é
viver! Daí chega o inverno - inverno, ouviram? - e como que
cedendo aos queixumes sudorosos, o termômetro baixa, radicaliza, resolve dar a louca, desaba, vai
até menos zero.
Mas cadê que o gozo baixa? Que nada! Ele vem sempre mais, e mais, e mais...
Mas cadê que o gozo baixa? Que nada! Ele vem sempre mais, e mais, e mais...
Gozo é excesso, abscesso, obsesso, não há temperatura nem queixa que
deem conta: gozar é coisa do além...
E lá (re)desaguam as criaturas a gozar numa intempérie sem fim, não
do guarda-chuva, do cobertor, do pulôver, da luva e do gorro ao alcance da mão, e sim da queixa
gozosa, esta, cuja satisfação é fora de alcance. E sem redenção: não tem “olhai por nós”.
A propósito, para que serve mesmo uma análise?
A propósito, para que serve mesmo uma análise?



